“Amor não é paixão. Fazer sexo não é fazer amor. Ódio não é amor. Amor não é fogo, não é chama, não é amizade, não é casamento, nem compromisso. Amor não é namorar, não é chorar, não é beijar, não é desejar, não é saudade. Amar não é estar-se preso por vontade. Não é servir quem vence o vencedor.
Amor não vai. Amor é o que fica. Amor é resto. Amor é o que sobra do que foi supracitado. Amor não é onda, é o mar. É o companheiro que não abandona depois que todas as fervorosas sensações se foram. Paixão, ódio, saudade, sexo, casamento, desejo são como trens. Amor é estação.”
“TUDO QUE VICIA COMEÇA COM “C”
Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios…
Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C! De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê. Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê. Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café,mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha ? - começa com a letra c. Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein? E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana. Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade? cinco. Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o ato sexual e este é denominado coito. Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos, pois a humanidade seria viciada em Cultura.”
“Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!”
“Amar é como andar de bicicleta. Analogias nunca foi o meu forte, mas, por favor, siga minha linha de raciocínio. Quando criança, todo mundo quer uma bicicleta. Começa com rodinhas que é pra não perder o equilíbrio. Mas o amor também é assim. Todo mundo, pelo menos no primeiro contato, fantasia tudo, acrescenta cavalo branco e príncipes. Ou não? Mas ninguém se equilibra em nada por muito tempo. Sempre tem uma queda ou outra. Joelhos ralados, no caso da bicicleta. Coração machucado, orgulho ferido, vontade de não acreditar em mais nada, querer se trancar dentro de si mesmo pelo resto da vida, no caso do amor. Certas coisas tomam proporções diferentes, mas isso todo mundo sabe. Depois de um tempo as rodinhas não servem mais. Você apenas quer guiar o guidão da sua vida, ops, da sua bicicleta e sentir o vento no rosto. Sensação de liberdade. Vai me dizer que não é assim quando se superar um amor? Ou devo dizer um quase amor? Talvez tenha sido só uma paixonite, mas as pessoas têm a mania de generalizar e rotular tudo. Só estou seguindo o roteiro. E chega a hora que você cresce. Não me julgue, não estou falando de amadurecimento. Nem todos conseguem esse grande feito. Mas depois que você apaga algumas velinhas de aniversário e já pode ir ao cinema sozinho, a bicicleta é deixada de lado. Quem quer andar de bicicleta quando se pode andar de carro de fórmula um, metrô, avião e até mesmo ônibus espacial? Ninguém pode ser culpado pelas maravilhas atrativas do maravilhoso mundo moderno. Quem quer se apaixonar, amar ou até mesmo se casar quando se pode ficar e transar sem compromisso? Agora existe camisinha. Não previne apenas doenças. Dá a oportunidade da falta de compromisso sem se preocupar com laços paternais. Vamos rasgar o verbo: previne a gravidez mesmo. Mas cá estamos nós. Na era do modernismo, onde a bicicleta ou o amor, tanto faz, os dois foram pra escanteio.”
“Hoje resolvi falar sobre ela, não que isso seja uma tarefa fácil, ta, ela não é uma tarefa fácil. Ela é um poço de defeitos. Confusa, do tipo que da um passo á frente, e uns dez pra trás, ela nunca vai falar o que ta sentindo na hora certa, vai deixar pra uma hora que aquilo não tiver mais sentido algum. Ela é estranha, e com ela não existe isso de “equilíbrio” ela é sempre o extremo, a ponta da linha, ela é dramática demais, chata demais, tudo demais. Você pode esperar tudo dela, mas, ela acaba fazendo o que você nunca esperava, é imprevisível. Ela é linda, tem uma risada que me desequilibra, perto dela eu me sinto tão… é tipo assim, ela é o oceano, enquanto eu sou gota d’agua. Me incomoda que ela fale pouco sobre ela, mas, é sempre assim, ela prefere que você se foda pra tentar descobrir o que ta passando na cabeça dela, e não é fácil, outra vez, ela faz questão de te dar mil opções, e resolve dar a verdadeira pro final. Já disse como ela é idiota? Ela é, se bem que ela disfarça bem, mas, no fundo, ela adora idiotices, é apaixonada por pessoas idiotas. Ela é apaixonada, eu não sei exatamente pelo quê, deve ser uma coisa muito maneira, porquê eu sinto vontade de me apaixonar também. No fundo, ela acredita nas pessoas, lá no fundo, ela quer que tudo dê certo. Ah, ela é mestre em fugas repentinas, deveria ser professora disso. Ela é uma crise, sabe a ultima combinação do cofre? Então, ela passa longe disso, eu suponho, que nunca vá conseguir adivinhar ou entender as loucuras dela. Ela me assusta, ela me encanta, ela é complexa, incompleta demais, parece que o tempo todo ela anda perdendo peças dela por aí, se ela fosse um quebra cabeça, ia ser mais fácil pra mim, um pouco de tempo, paciência, e dedicação, seriam o bastante, mas, ela não ta nem perto de ser um quebra cabeça, ta mais pra projeto inacabado de laboratório, a Sinfonia que Mozart não conseguiu tocar, a ideia que Einstein não teve, a frase que Shakespeare esqueceu de escrever, aparentemente, essas coisas, ninguém sente falta, mas, cara, ela nasceu pra fazer falta. Ela é saudade. Não me resta muito tempo com ela, eu acho. Ela é uma criança, um campo minado, as vezes eu tenho a impressão que ela é um exercito, depois, eu a vejo outra vez, tão pequena, tão perfeita, e escuto a respiração dela no telefone, e acima de tudo, ela é o meu mundo. Ela tem umas manias bem particulares, conheço poucas, bem que eu queria que ela fosse um pouco menos fechada, mas, meu passatempo predileto, é tentar descobri-la. Ela faz o gênero missão impossível. Ela é um problema, um problemão, ela balança com minha estrutura, vai entender, talvez eu devesse andar com um daqueles tubinhos de jato para asma. Ela é bem agridoce, tem um jeito meio embriagado, outro responsável demais, do tipo que não foge de casa no meio da noite pra ir olhar o céu lá fora, acho que ela gosta disso, ficar no lugar dela, o espaço dela, já disse que ela tem um “Keep Out” na cara, acho que faz isso pra facilitar as coisas. Depois de tudo, ela é simples, tá… depois de muito, ela é bem simples, digo, a essência, ela é impossível, deve ser por isso que eu a amo, é isso. A impossibilidade de finalmente entendê-la, e saber o que falar pra ela na hora exata, o que não falar, conosco é tudo muito improvável, muito acidental, ela é meio desastrada, cá entre nós, ela tem um queda por desastres, meu plano com ela é simples, se der errado, dane-se, tento outra vez. É estranho, ela deveria ter vindo com um manual, sei lá, umas dicas, mas, ta tudo bem, pra uma pessoa apaixonada por idiotas, com uma habilidade peculiar de confundir as pessoas, e por ter um aptidão por desastres, ela ganhou pontos comigo. Foi desenhada assim, toda sei lá, só pra me fazer feliz. Se você passar um dia com ela, não vai entender 1% do que eu to falando, se passar uma vida com ela, vai continuar no 0x0. É que, ela é um livro inacabado, a parte “tcham” da história, ela acaba comigo, me sinto completamente desprotegido, literalmente, ela é minha kriptonita. Ela foi feita pra mim, eu só não sei como dizer isso pra ela.”
— Sorry, I’m not Chuck Bass. Orquestrando (via orquestrando)
“Tem dias que a gente
se sente
um tanto diferente,
indiferente
com a gente,
não é que
estejamos doentes,
é só uma falta
de esquecer o futuro
e viver o presente.”
“Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda; não suportava ajuntamentos perto de mim e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse. E é nisso que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. Tentei me matar com gás e não consegui. Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre tive ódio disso. Vivia afirmando: “as duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo”. Acharam que estava louco. Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança - passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida. Sim, eu odiava ter que me levantar da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois que se passa a noite inteira dormindo cria-se uma espécie de intimidade especial que fica muito mais dificíl de abrir mão. Sempre fui solitário. Você vai me desculpar, creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, se não fosse por uma que outra trepadinha legal, não me faria a mínima diferença se todas as pessoas do mundo morressem. É, eu sei que isso não é uma atitude simpática. Mas ficaria todo refestelado aqui dentro do meu caracol. Afinal de contas, foram essas pessoas que me tornaram infeliz.”
“Faz algum tempo desde a última vez que nos vimos. Dez anos, para ser mais precisa. Mas ainda lembro com clareza dos traços do seu rosto, dos óculos de grau que usava e de como arrumava o cabelo. Sinto saudades da época em que o coração parava de medo e receio quando saíamos do colégio e íamos até o trabalho da sua mãe pedir permissão para nos balançarmos na rede lá de casa. Ou como quando ficávamos eufóricas com aquelas reuniões de pais e mestres que agora parecem completamente insignificantes.
Hoje estou crescida e agora não preciso mais que alguém me leve ao colégio, porque ao colégio nem vou mais. Não consigo subir tão alto naquela rede que antes quando balançada me deixava tocar o teto. E não tenho mais você tão perto pra balançar ela pra mim.
Por acaso hoje te vi novamente. Não sei se foi destino ou mesmo falta de coragem, mas não consegui te dizer uma só palavra. Fazem dez anos, será que se lembraria de mim? Será que aqueles choros que terminavam em soluços de criança onde uma apoiava a outra tiveram tanto significado pra você quanto tiveram pra mim? Agora talvez eu nunca saiba. Mas daqui a dez anos, não sei, se te encontrar na rua novamente, vou dizer pra você que aquela rede velha continua por aqui.”